O Brasil tem sol o ano todo — mas mesmo assim, mais da metade da população tem níveis insuficientes de vitamina D. Entenda por que isso acontece, quais são os sinais e o que fazer para corrigir.
Brasil: país tropical, com abundância de sol o ano todo.
E ainda assim, pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros tem níveis insuficientes de vitamina D.
Parece contraditório. Mas tem uma explicação — e ela muda completamente a forma como você pensa sobre esse nutriente essencial.
O Que é a Vitamina D e Por Que Ela Importa
A vitamina D é, na verdade, um hormônio — não apenas uma vitamina. Ela é produzida pelo organismo quando a pele é exposta à radiação UVB do sol, e age em praticamente todos os tecidos do corpo.
Suas funções incluem:
- Saúde óssea: regula a absorção de cálcio e fósforo — sem ela, os ossos ficam frágeis
- Imunidade: modula a resposta imunológica, reduzindo risco de infecções e doenças autoimunes
- Saúde mental: associada à regulação do humor — deficiência está ligada a maior risco de depressão
- Função muscular: fraqueza muscular é um sinal clássico de deficiência
- Saúde cardiovascular: baixos níveis estão associados a maior risco de hipertensão e doenças cardíacas
- Prevenção de câncer: evidências crescentes associam níveis adequados a menor risco de certos cânceres
Por Que Tantos Brasileiros Têm Deficiência
Um estudo coordenado pela Fiocruz Bahia investigou os níveis de vitamina D em uma população saudável no Brasil e revelou que a prevalência de deficiência foi de 15,3% e a de insuficiência foi de 50,9% no geral. Discriminando por cidade, a prevalência foi de 12,1% de deficiência e 47,6% de insuficiência em Salvador; 20,5% e 52,4% em São Paulo e 12,7% e 52,1% em Curitiba.
Ou seja: mesmo no verão, em cidades ensolaradas, mais da metade da população tem níveis insuficientes de vitamina D.
Por quê?
1. Estilo de vida indoor A maioria das pessoas passa o dia em ambientes fechados — escritórios, casas, carros com vidros fechados. A exposição solar real é mínima.
2. Protetor solar bloqueia a síntese O protetor solar — fundamental para prevenir câncer de pele — também bloqueia a radiação UVB que produz vitamina D. Esse é um dilema real da saúde pública.
3. Horário de exposição inadequado A síntese de vitamina D ocorre principalmente entre 10h e 15h — justamente o horário que a maioria evita por causa do calor e do risco de queimaduras.
4. Pele mais escura precisa de mais exposição A cor da pele branca foi identificada como fator protetor contra a deficiência de vitamina D, enquanto maior índice de massa corporal e maior latitude foram preditores significativos de deficiência. Isso significa que pessoas de pele mais escura precisam de mais tempo de exposição para produzir a mesma quantidade de vitamina D.
5. Ausência de política de fortificação No Brasil não existe uma política de fortificação de alimentos com vitamina D, como ocorre em outros países como o Canadá e Finlândia. Nesses países, leite, sucos e cereais são enriquecidos com vitamina D — o que compensa a menor exposição solar.

Os Sinais de Deficiência de Vitamina D
A deficiência leve raramente causa sintomas óbvios — por isso é subestimada. Mas com o tempo, pode se manifestar como:
- Fadiga persistente sem causa aparente
- Fraqueza muscular
- Dores nos ossos e nas articulações
- Humor deprimido ou irritabilidade
- Infecções frequentes (gripes e resfriados repetidos)
- Queda de cabelo
- Dificuldade de cicatrização
O diagnóstico é simples: exame de sangue (25-OH vitamina D). Solicite ao seu médico na próxima consulta de rotina.
Como Corrigir a Deficiência
Exposição solar estratégica 15 a 30 minutos de sol entre 10h e 15h, com braços e pernas expostos (sem protetor solar nessa janela), algumas vezes por semana já contribui para a síntese.
Alimentos ricos em vitamina D Peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum), gema de ovo, cogumelos expostos ao sol, alguns laticínios. Mas atenção: a alimentação sozinha raramente é suficiente para atingir os níveis ideais.
Suplementação Para a maioria das pessoas com deficiência ou insuficiência, a suplementação é necessária. As doses variam de 1.000 a 10.000 UI por dia, dependendo do nível inicial e da orientação médica.
Importante: a suplementação de vitamina D deve ser feita com acompanhamento médico — excesso de vitamina D causa toxicidade.
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